sábado, 21 de abril de 2018

Reenc. Entre as ilhas do Faial e Pico


Foto de Pedro Aniceto.
No próximo dia 23 de Abril, o nível da maré entre as ilhas do Faial e Pico atingirá a primeira cota mínima deste século (semelhante fenómeno só voltará a ocorrer em 2097, mas com mais 80 centímetros de nível do mar) e vai permitir a travessia do Canal a pé entre as ilhas do Faial e do Pico.
É um fenómeno raro só possível pelo alinhamento perfeito entre a Terra, a Lua e Júpiter, mas vai proporcionar-me uma experiência ÚNICA de uma vida no arquipélago dos Açores.
Esta travessia, com tempo de duração previsto de duas horas e meia terá de ser obrigatoriamente acompanhada por guias da Proteção Civil e terá uma janela temporal extremamente rígida por razões de segurança (já que não serão permitidos inícios de caminhada após uma hora do valor mínimo de maré).
A última vez que esta travessia foi possível, foi em 1938, tendo duzentas e cinquenta e três pessoas atingido a ilha do Pico depois de partirem da Horta em direcção à Madalena do Pico antes de a subida de nível da maré ter impossibilitado mais partidas. (Foto cortesia de Thomson Corporation)
Mais informações, consulte: goo.gl/9XgmJQ

terça-feira, 17 de abril de 2018

Concentração em Belém é esta quarta-feira, 18 de Abril




PAIS INDIGNADOS 
COM A APROVAÇÃO DA NOVA LEI DA AUTODETERMINAÇÃO DE GÉNERO A PARTIR DOS 16 ANOS
 
juntam-se em vigília de protesto, dia 18 de Abril, na próxima 4a feira às 20 horas, em frente ao Palácio de Belém para demonstrar ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a não resignação das famílias portuguesas perante uma lei que não promove o verdadeiro respeito pela dignidade da pessoa humana, e pode comprometer fortemente a felicidade e o futuro de muitos jovens.
A Assembleia da República aprovou a mudança de sexo no registo civil a partir dos 16 anos. A aprovação com 109 votos a favor e 106 contra. Por diferença de três votos o PS, Bloco de Esquerda e PAN votaram a favor e a lei passou com a abstenção do PCP. Não queremos esta lei! BASTA!
Quando uma pessoa, jovem ou não, se confronta com questões de identidade, deverá procurar apoio médico que realmente a ajude, e não satisfazer os desejos contrários à sua própria natureza humana, dignidade e felicidade. Muitas vezes são distúrbios, mais ou menos passageiros, que poderão ter origem em diferentes fatores e que só os profissionais da medicina podem avaliar devidamente e atuar em conformidade de modo a tratar o problema em causa.
Na idade adolescente, ainda em nítida fase de desenvolvimento quer físico quer emocional, acresce um enorme risco de abundantes problemas psíquicos, psicológicos, sociais e emocionais em virtude de uma tomada de decisão deste “calibre”, altamente impactante e com efeitos profundos em TODA a pessoa, e em TODAS as suas dimensões humanas.
Que consequências virão destas leis? Quantas vidas estragadas, rotas, sem sentido? Quantos projetos de felicidade ficarão pelo caminho numa busca incessante de repostas que ninguém conseguirá dar? Quantas vidas terminadas precocemente? Que sociedade estaremos a construir?
É preciso pensar profundamente em todas estas questões, pois temos nós todos, e os senhores deputados por excelência, uma gigante responsabilidade perante os nossos filhos e netos.
Como cidadãos e contribuintes, pagamos os nossos impostos a tempo e horas, e não desejamos e não queremos ver o nosso dinheiro ser aplicado em tais “atrocidades” que estragarão tantas vidas!
Associação Plataforma Pensar&Debater
sigam o evento na pagina do Facebook
Assessoria de Imprensa
Marta Roque- tlm 96 133 21 84
 

Assine a petição, clique aqui: "Não à Proposta de Lei nº. 75/XIIII".

Assine a petição, clique aqui: "Petição para não promulgar a legislação". 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O Cristo das Trincheiras no Mosteiro da Batalha


Quando visitares o Mosteiro da Batalha, não te esqueças de procurar esta imagem mutilada de Cristo, tão carregada de História...
Reconheço a minha ignorância, pelo que partilho.
Quando lá voltar vou olhá-lo de forma diferente.
O "Cristo das trincheiras": uma História que vale a pena ver e contar!

 
 Na Guerra de 14-18, no sector português da Flandres, entre as localidades de Lacouture e Neuve-Chapelle, encontrava-se um cruzeiro com um Cristo pregado numa cruz de madeira, que dominava a paisagem da planície envolvente.
A imagem deste Cristo não era, obviamente, portuguesa, mas encontrava-se na zona defendida pelo Corpo Expedicionário Português durante a ofensiva alemã que quase destruiu a 2ª Divisão de Infantaria.
No dia 9 de Abril de 1918, durante horas a fio, sobre aquela planície caiu uma tempestade de fogo de artilharia, que a metralhou, a incendiou e a revolveu.
Era a ofensiva da Primavera de 1918 do exército alemão.
A povoação de Neuve-Chapelle quase desapareceu do mapa, de tão transformada em escombros.
A área ficou juncada de cadáveres e, entre estes, jaziam 7.500 portugueses da 2ª Divisão do CEP, mortos ou agonizantes.
No final da luta apenas o Cristo se mantinha de pé, mas também mutilado: a batalha decepou-lhe as pernas, o braço direito e uma bala varou-lhe o peito.
Mas, no meio do caos, foi trazida pelos militares que conseguiram reagrupar-se e regressar às linhas aliadas
É quase inimaginável que, debaixo das barragens de artilharia alemãs, que dizimaram grande parte do contingente português, a opção de alguns militares fosse a de trazer consigo a imagem de Cristo, severamente danificada, e a colocassem em local seguro onde pudesse ser novamente venerada.
Em 1958 o Governo Português fez saber ao Governo Francês o desejo de possuir aquele Cristo mutilado : tornara-se um símbolo da Fé e do Patriotismo nacional e passou a ser conhecido como o "Cristo das Trincheiras".
A imagem foi acompanhada desde França por uma delegação de portugueses, antigos combatentes da Grande Guerra, que residiam em França, e por uma delegação de deputados franceses, chefiada pelo Coronel Louis Christian.
Chegou a Lisboa de avião no dia 4 de abril de 1958, uma Sexta-feira Santa, e ficou em exposição e veneração na capela do edifício da Escola do Exército até 8 de Abril - as cerimónias foram apoteóticas, milhares de portugueses desfilaram perante a imagem em Lisboa.
No dia 8 de Abril a imagem foi transportada num carro militar para o Mosteiro da  Batalha, sem qualquer cerimonial especial, e aí ficou exposta na sala do refeitório do mosteiro para no dia seguinte, 9 de Abril, se efectuar a entrega oficial.
No dia 9 de Abril, pelas 11 horas, começaram a concentrar-se junto ao Mosteiro numerosas entidades civis e militares, entre elas os Embaixadores de Portugal em França e de França em Portugal, os Adidos Militares da França, da Bélgica e dos Estados Unidos, as altas patentes portuguesas do Exército, Marinha e da Força Aérea.
Ao meio-dia iniciaram-se as cerimónias com a chegada do Coronel Louis Christian (França) e o Ministro da Defesa de Portugal Coronel Santos Costa.
A guarda de honra foi prestada por um Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 7, Leiria.
O "Cristo das Trincheiras" foi então levado para a sala do Capítulo, estando o andor que o transportou ao cuidado de representantes da Liga dos Combatentes da Grande Guerra.
Aí deposto sobre um pequeno plinto adamascado, à cabeceira do túmulo do "Soldado Desconhecido".
Terminadas as orações, o Adido Militar Francês, Coronel Revault d'Allonnes, conferiu aos dois "Soldados Desconhecidos" duas Cruzes de Guerra, as quais foram depositadas sobre a campa rasa.
A fanfarra do Regimento de Infantaria n.º 19, de Chaves, tocou a silêncio no final da cerimónia, enquanto uma Bateria de Artilharia do Regimento de Artilharia Ligeira de Leiria, salvava com 19 tiros.
Mais do que um episódio ocorrido durante a 1ª Guerra Mundial, o "Cristo das Trincheiras" simboliza a fé que manteve os militares portugueses na linha de frente durante um par de anos, praticamente sem licenças, mal abastecidos, sentindo-se abandonados por quem os enviou para combater por algo que a maioria não entendia.


 O Cristo das Trincheiras no Mosteiro da Batalha

A DESGRAÇA E A VERGONHA IMORAL DAS “SALAS DE CHUTO”!


                      A DESGRAÇA E A VERGONHA IMORAL DAS “SALAS DE CHUTO”!



31/03/18
       “Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem”                            
         Jesus Cristo (Lucas, 23:34)

    Foi anunciado esta semana – a Semana Santa – (curiosa coincidência), que o malfadado executivo da Camara de Lisboa, vai inaugurar “salas de chuto assistido”, onde os pobres de espírito herdeiros de um “roussionismo” serôdio possam, higienicamente, darem-se às suas práticas nojentas e suicidárias.[1]
    Recuso-me a colaborar e a ficar calado, com mais esta decisão subversiva, negregada e criminosa para a sociedade onde me insiro.
    Mais uma, das muitas postas em prática por uma cáfila de “engenheiros sociais”, que se entretêm, faz décadas, a desmontar os valores ancestrais em que a vida em sociedade e o progresso social sempre se apoiaram.
    O que tem tido especial incidência nos países e povos de matriz cristã.
    Tudo isto está profundamente errado.
    Mas agora e à cabeça, criou-se uma situação de contradição insanável, que passo a descrever.
    A diarreia legislativa, maioritariamente fraca de qualidade, que os governos e parlamentos portugueses derramam há décadas, sobre os anestesiados e baralhados contribuintes, aprovaram uma lei que continua a criminalizar o tráfico de drogas (enfim, de um modo brando), ao mesmo tempo que despenalizaram o consumidor, o qual só passará a ser considerado traficante se for encontrado com uma determinada quantidade do produto tóxico, tido como superior ao necessário para a sua dose diária, ou seja, passível de ser vendido.
     Ora sendo o tráfico um crime como é que se pode abastecer os viciados, os quais, lembramos, podem consumir à vontade sem receio de serem punidos?
    Lei perversa pois obriga o consumidor a cometer um crime que é o de ir comprar a droga…
    Ou será isto apenas, como parece, apenas um passo intermédio para a legalização do tráfico, ou seja para a droga ser vendida sem rebuços, na “drogaria” da esquina, como quase já acontece com a “canábis”, com o disfarce da utilização medicinal?
    Outra contradição insanável é ver como, de há anos a esta parte, forças políticas, jornalistas e comentadores (e notem a quase unanimidade do que vem a público e do que é calado), passaram a desancar nos fumadores e nos que bebem álcool (porque não nos viciados no jogo?), com uma sanha nunca vista, e se mostram tão benevolentes para com a cáfila de drogados que por aí abunda, a ponto de se ter acabado com a censura social associada a tão degradante espectáculo?
    E porque é que não há regras estritas para impedir que drogados possam ter acesso a um conjunto de profissões e funções, pois representam um perigo público no seu exercício?
    Com a agravante de toda a gente saber que as consequências do vício da droga ser muito mais grave e prejudicial do que o consumo do tabaco e do álcool!
    Vivemos pois, uma enorme mentira misturada com ilusionismo social, cujo cúmulo é a existência de tráfico de droga dentro dos estabelecimentos prisionais!
    Ao “bem pensantes” ficam ainda com pele de galinha quando se invectivam estes desgraçados (alguns dos quais bem postos na vida), com adjectivos que lhes assentam bem.
    Preferem dizer que são doentes e precisam ser tratados…
    Concedo que sejam doentes, mas por serem tarados, não por serem drogados. Pois que se há - de dizer de pessoas que induziram ou infligiram doenças neles próprios, ao caírem no logro do vício e da dependência?
     Tudo isto numa sociedade que coloca a “Liberdade individual” em tão altos píncaros. Ora um viciado deixa de ser uma pessoa livre…
    Não foram eles que se desrespeitaram a si próprios e atraíram o opróbrio sobre si mesmos?
    Ora todo este estado de coisas tem tido a nefasta conivência de muitos políticos (alguns deles antigos experimentadores ou viciados), por acção ou omissão; das televisões e de Hollywood - onde deve existir a maior concentração de viciados do mundo inteiro, por metro quadrado – por exporem às escâncaras as misérias humanas; ensinarem a fazer; ignorarem a pedagogia e não terem uma palavra de condenação.
    As famílias estão meio destruídas (e “pour cause”) e a escola virou uma desordem institucional, só para ficarmos por aqui.
    Neste âmbito como noutros, a tão badalada Declaração Universal dos Direitos do Homem é vã e de nada vale (é até contraproducente) sem a Carta dos Deveres dos mesmos…[2]
                                                                         *****
    O que se passa, nomeadamente com esta estúpida decisão é ainda um péssimo exemplo social, já que configura a vitória do vício perante a virtude; o pactuar com práticas erradas e nefastas; a emissão de sinais errados para os cidadãos, nomeadamente os jovens; a aceitação de que o crime e o erro compensam; o incentivo a práticas ilegais; a desresponsabilização militante; a conformação com a desmoralização, etc..
    Um etc. longo e penoso. Mas parece que se perdeu a vergonha na cara!
    Veja-se o ponto onde chegámos: as excursões de finalistas dos liceus na época pascal (coincide novamente com a Páscoa…), passaram a ser paradas e revistadas pelas Forças de Segurança, que procuram droga, objectos contundentes e artefactos pirotécnicos (e seguramente não se eximem a recomendar anticontraceptivos…), e os hotéis começaram a não os aceitar, pois as férias transformaram-se em orgias onde vale tudo, face á libertinagem e desregramento em que se passou a viver! É que o que recebem não dá para cobrir os danos nas instalações…
    Já não bastava assistirmos à pouca vergonha das claques dos grandes clubes de futebol “marcharem” para os estádios escoltados por esquadrões de polícias armados até aos dentes!
    E eu como cidadão tenho que me sujeitar a aturar e a pagar tudo isto?
    Sim, porque “tudo isto” e agora voltamos às salas de chuto (que nome escabroso), é pago pelo justo contribuinte, não pelo pecador o que, já agora, configura uma injustiça.
    Ou não será assim?
    Há muito que a podridão convive connosco e nós deixamos. Há décadas que na baixa de Lisboa e Porto, há mais vendedores de droga do que carteiristas, os quais não têm qualquer
pejo em oferecer o produto ao passante. Agora a prática recrudesceu com o aumento do turismo, o qual também já está a passar os limites do bom senso.
    Onde andará a polícia? Presume-se que a tentar multiplicar o número de associações e sindicatos, para poderem reivindicar e usufruir dos respectivos direitos…
    Mas porque não farão tal (o que a própria lei incentiva) se, quando pretendem actuar vêm a sua acção, o mais das vezes, solapada por políticos, “observatórios”, associações para a defesa de tudo e mais alguma coisa e, até, de Procuradores e Magistrados?
    Que mau aspecto de país em que Portugal se transformou!
    E sabendo-se os negócios ilícitos que o tráfico de droga alimenta; a desgraça e o sofrimento que leva às famílias; o incentivo ao roubo e à agressão que o consumo potencia – para já não falar na degradação humana que acarreta – como se pode admitir que os poderes públicos fechem os olhos perante todo este cenário infernal e não combatam com todas as suas forças, todas as situações e aqueles que nelas estão envolvidos?
    E como entender que a maioria da população e das instituições nacionais, empresas, etc., sejam tão tolerantes a este descalabro que nos devia levar a pintar a cara de preto?
    Já não há pachorra para o maldito do política e socialmente tido como correcto e para as ideias degeneradas de adiantados mentais armados em “práfrentex”, que se gostam de assumir como esquerdalhos, mas que apenas são poias em formas poliédricas de caca!
    Só há uma maneira de combater o tráfico, é à moda de Singapura. Para grandes males, grandes remédios.
    E quanto aos consumidores o que é necessário fazer é substituir as salas de chuto (que nome escabroso) - não por clinicas de desintoxicação a preços caros (o que configura mais um negócio…) – por “colónias de férias assistidas”, onde os “utentes” fossem perdendo o vício paulatinamente “assistidos”: acampavam em tendas; tinham alvorada pelas 0600 e ida para a caminha às 1000; faziam desporto obrigatório; tratavam dos animais e das plantas com que se alimentariam; cuidavam das latrinas e tomavam duche diário frio.
    Quando saíssem teriam de prestar trabalho cívico (duro) durante um ano (ou mais tendo em vista o tempo de recuperação) e assinavam um documento com aviso sério quanto a futura pena por reincidência.
    E iam para o Céu, pois o Senhor lhes perdoaria.
    O Mal tem de ser chamado de Mal, e o Bem de Bem! Eis tudo.
    Calculo que em dois anos o problema estaria resolvido e até o nosso querido e bem comportado Secretário – Geral da ONU acharia uma iniciativa “interessante” para a paz no planeta e nosso não menos querido PR ficaria satisfeito só de pensar na quantidade de “selfies” que poderia tirar com cada um dos recuperados.
    Quem quer apostar?             



                                  João José Brandão Ferreira
                                       Oficial Piloto Aviador


[1] “Roussionismo”, neologismo, derivado de Jean Jacques Rousseau.
[2] Que não existe…

segunda-feira, 26 de março de 2018

A LENTA AGONIA DAS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS

A LENTA AGONIA DAS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS

24/3/18
  “Diz uma parábola que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.
    A mentira disse para a verdade:
    - Bom dia, dona Verdade.
    E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o
    alto, não viu nuvens de chuva, várias pássaros cantavam e assim,
    vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:
    - Bom dia dona mentira.
    - Está muito calor hoje, disse a mentira.
    E a verdade, vendo que a mentira falava verdade, relaxou.
    A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se
    de suas vestes, pulou na água e disse:
    Venha, dona Verdade, a água está uma delícia.
    E assim que a verdade, sem duvidar da mentira, tirou as suas vestes e
    mergulhou, a mentira saiu da água, vestiu-se com as roupas da                
    verdade e foi-se embora.
    A verdade, por sua vez, recusou vestir-se com as vestes da mentira e,
    por não ter do que se envergonhar, saiu nua, a caminhar na rua.
    Mas viu que, aos olhos das pessoas, era muito mais fácil aceitar a 
    mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua.”        
                           
            Como seguramente já poucos se recordam – dado que a velocidade em que se vive mancomunada com os dilúvios de notícias, informação e porcaria, com que os órgãos de comunicação social nos brindam diariamente – o Semanário “Expresso” de 3 de Fevereiro, escreveu em parangonas de primeira página, que “Os Chefes Militares Unem-se Contra o Governo”, com que intitulava o conteúdo da notícia, não da informação, que a seguir desenvolvia.
            A notícia englobava já (tenham isso em conta) uma reacção à própria notícia por parte do MDN, ao contrário dos gabinetes do Exército, Armada e Força Aérea, que se recusaram a comentar.
            No mesmo dia saíu um comunicado do Gabinete do Chefe de Estado - Maior General das FA (e é lícito ponderar se o comunicado foi apenas uma iniciativa dos chefes militares ou se teve algum “empurrão” do senhor ministro), assinado por um coronel, intitulado “porta-voz” das Forças Armadas – função que, confesso, desconhecia existir.
            A notícia (do Expresso), que na linguagem do âmbito das informações militares, poderia ser qualificada entre A a F e de 1 a 6, quanto ao grau de credibilidade da fonte e verosimilhança, tentava um “furo” jornalístico tornando público um documento oficial com origem no Conselho de Chefes de Estado-Maior (CCEM),[1] dirigido ao Sr. Ministro da Defesa Nacional (MDN) – o qual na realidade não existe, e devia chamar-se Ministro para, ou, das Forças Armadas [2] o qual mostrava o “incómodo” e a “crítica” dos Chefes Militares relativamente a decisões governamentais que afectam a Instituição Militar.
            Nomeadamente e transcreve-se:
            “Poder por em causa (a falta de efectivos) algumas missões e configurar um tratamento de iniquidade das FA em relação às Forças de Segurança”; “configura um acréscimo ao nível de risco”; “a redução ou cancelamento de missões, além de assumir riscos não negligenciáveis em termos de segurança do pessoal, coletiva e de instalações”; “o presente ajustamento condicionará igualmente a qualidade e quantidade desse reforço; impossibilitará a adequação de necessidades emergentes em áreas específicas…”;
            “Impossibilitará a adequação dos efectivos militares dos quadros permanentes na situação de activo, a desempenhar funções fora da estrutura orgânica das FA”; “representa um afastamento progressivo aos objectivos estabelecidos no âmbito da Reforma Defesa 2020” (que tinha estabelecido um tecto em pessoal para as FA, de 32.000 militares, dos quais apenas existem actualmente 28.000”.
            Ora aquilo que é transcrito é a mais pura das verdades e só peca por estar a anos-luz dos “alertas” e “críticas” que os Chefes Militares têm para tecer ao Poder Político que os tutela – melhor dizendo, os tem pela trela – já que as FA se encontram em modo de pura sobrevivência, após terem sido sujeitas à maior redução, desarticulação e desconsideração que há memória no País, nos últimos 30 anos e que nenhum Corpo do Estado ou grande empresa civil, teria capacidade para funcionar e sobreviver caso fosse sujeita a um décimo de tal.
            E o que é dito não configura nenhuma conduta incorrecta ou condenável, “contestação”, “subida de tom”, “tilintar de espadas”, “ser inédita”, “insólita”, “desafiante” e outros disparates que vi escritos, mas tão só “correcção, respeito, frontalidade e lealdade”, como vem escrito no comunicado do EMGFA.
            Sem que tal envolva qualquer crítica ao conteúdo do documento é mister tecer dois ou três comentários.
            A preocupação refletida no memorando é a falta de pessoal – que é gritante, desmesurada e vai piorar – tanto em quantidade como em qualidade. [3] E a “iniquidade” tem a ver com o favorecimento que tem sido feito relativamente às Forças de Segurança (nomeadamente a GNR), o qual já vem muito de trás e tem razões específicas e profundas. O mesmo já tinha acontecido, aliás, nos tempos funestos da I República.
            Uma outra preocupação que ressalta é o cuidado em que os chefes militares tentam pôr as suas barbas de molho, precavendo-se de mais alguma bronca tipo assalto aos paióis de Tancos, que apesar de tudo o que já foi dito e escrito, ninguém sabe o que se passou, como o último relatório vindo a público comprova.
            O derradeiro comentário tem a ver com a justificação do ridículo aumento de pessoal concedido, de 200 homens (no fim do ano haverá muitos menos!), que se justificam por causa dos incêndios.
            Ora isto é, além de ridículo, cretino e demagógico. A missão primária das Forças Armadas não tem nada a ver com incêndios, e quem se alista no Exército, na FA e na Marinha, não é seguramente para ser bombeiro. Porque é que não arrebanham os advogados, os enfermeiros ou os professores de liceu (por ex.), para irem ajudar a combater incêndios ou limpar matas? A única coisa que se justifica poder fazer-se tem a ver com a operação de meios aéreos por parte da FA neste âmbito, por razões ponderosas de economia de meios, comando e controlo, de manutenção e de prevenção de eventuais fraudes no negócio existente. Sem embargo o estado muito degradado da actual situação e o modo como estão a tentar passar responsabilidades para a Força Aérea (depois de se andar a fazer asneiras durante 20 anos), vai ser um autêntico “presente envenenado”!
            Finalmente as considerações feitas ao Expresso pelo gabinete do Sr. Ministro, são despropositadas e não têm ponta por onde se lhe peguem. E tudo o que tentam escovar do capote cai-lhes em responsabilidade e culpas, maioritariamente, em cima.
            Com o cobarde à vontade e displicência, de saberem que os chefes militares não lhes podem responder.
            Isto é, podem, mas no dia seguinte seriam demitidos, sendo o seu carácter possivelmente assassinado na praça pública por alguns jornaleiros de serviço.
            O que é dito na notícia – e que ninguém oficialmente desmentiu - o que a classifica como “A1” – e que é mais grave, é que a actual situação nas FA configura um risco exponencial para a Segurança e Defesa Nacional, tudo correndo nas barbas da população e de todas as instituições nacionais, sem que qualquer sinal de preocupação seja evidenciado.
            As razões porque as coisas se passam assim deviam, indubitavelmente, preocupar-nos mais do que a “táctica” dos treinadores das equipas de futebol para o jogo seguinte…
            A imbecilidade está, de resto, instalada. E é incentivada.
                                                               *****
            Vamos reproduzir o comunicado do EMGFA, intitulado “Esclarecimentos sobre Efetivos Militares”, pois vale a pena:
             “Tendo surgido na comunicação social notícias relativas a um memorando do CCEM, os quatro chefes militares reafirmam que o relacionamento institucional com o Governo e designadamente com Sua Excelência o MDN tem sido, e continuará a ser, caracterizado pela correção, respeito, frontalidade e lealdade.
              Lamenta-se que partes do citado memorando tenham sido objeto de divulgação pública nos órgãos de comunicação social.
              Mais se esclarece que, independentemente do diálogo institucional estabelecido no quadro dos processos relativos aos efectivos militares, não esteve, não está, nem estará em causa o cumprimento das missões das FA”.
            Ora perante o que se passou - e que, repito, já quase ninguém se lembra – perpassam várias perplexidades.
            A primeira prende-se com o facto de ninguém de direito, vir afirmar que o documento é verdadeiro ou falso. Aliás, se fosse afirmado que era falso, nada mais haveria a dizer...
           A não ser colocar o jornal em tribunal.
           A segunda tem a ver com o comunicado do CEMGFA (melhor dizendo ex-CEMGFA) que referia (sem desmentir a notícia, antes confirmando-a, apesar de dizer que apenas partes do memorando terem sido expostas) que “o cumprimento das missões das FA não estava em causa”.
            O silêncio teria sido aqui de ouro (caso o MDN nada tivesse dito) e a palavra de prata se tivesse sido outro o discurso.
            Ora também não se entende como se pode comentar o documento já que no mínimo, se trataria de matéria classificada como “reservada”…
            A terceira, lida com o facto de se saber como é que o documento foi tornado público.
            Já a questão do comunicado do CEMGFA parece perfeitamente dispensável, até porque o que transparece é que se está a dar uma sabujadela ao Governo; dar o dito por não dito e de falta de coragem em assumir seja o que for, neste caso o estado lastimável em que a Instituição Militar se encontra (e toda a gente sabe que o cumprimento das missões não só está em causa, como está completamente em causa!).[4]
           O que levou o agora comentador Marques Mendes a dizer com um sorrisinho nos lábios, na “SIC”, que “em matéria de chefes militares isto já não é o que era…”.
            As coisas a que estes meus camaradas se sujeitam…
            E aquele “pormenor” referido (na tal notícia do Expresso), de que o CEMA não assinou o documento sendo o seu vice a fazê-lo, (não passa na cabeça de ninguém que o mesmo o tenha feito à revelia daquele) está hoje ultrapassado pois o primeiro passou a CEMGFA e o segundo substituiu-o no anterior cargo.
            A última perplexidade é o facto de não haver fugas de informação apenas no âmbito do Segredo de Justiça…
            Ou seja, como é que o órgão de informação “Expresso” teve conhecimento do documento?
            Pois parece apenas haver cinco hipóteses, a saber: ou houve fuga de informação nos gabinetes do CEMGFA, do CEMA, do CEME, do CEMFA ou do Ministro, ou o jornal possui um ou mais “espiões” nalgum destes locais. Dificilmente se saberá.
            Descartando esta última hipótese (por mero exercício académico), resta uma pergunta: a quem interessava fazer esta fuga de informação?
            Eis mais uma prova provada (se ainda fosse necessário apresentar alguma), que o bom do Padre Américo, se foi deste mundo sem ter acabado com os malandros todos.




                                             João José Brandão Ferreira
                                                Oficial Piloto Aviador


[1] Para quem não é conhecedor de tais siglas esclareço que este conselho reúne o Chefe de Estado - Maior General das FA e os três chefes dos Ramos (Exército, Força Aérea e Marinha).
[2] Durante mais de 30 anos condenei o uso do termo “ibéricas” para qualificar as cimeiras com esse nome que se realizam a cada semestre, e que se deviam chamar luso - espanholas. Há cerca de três ou quatro anos, o Governo lá mudou o nome conforme sempre defendi. Também tenho esperança que, um dia, mudem a designação de MDN para MFA (Ministério das Forças Armadas) ou então, o que seria melhor, assumissem a Defesa como tal.
[3] A gravidade do assunto é já de tal ordem que a própria Assembleia da República vai realizar um debate, fora do hemiciclo, no dia 28 do corrente, sobre o assunto, nomeadamente sobre a falta de candidatos para o regime de voluntariado e contrato. Coitados, acordam sempre tarde para o que é importante…
[4] Ou, então, nunca estão em causa se usarmos de dois expedientes retóricos: por maiores que sejam os meios nunca será possível garantir o cumprimento de todas as missões em todas as circunstâncias; ou, que cumprindo apenas um bocadinho de uma missão qualquer, isso já representa o cumprimento da missão, apesar de parcial ou mínima! Dá para todos os gostos…